A culpa é da Fifa?
Porto Alegre, Curitiba e São Paulo reúnem-se na segunda semana de setembro para definir a linha de atuação junto ao governo federal em relação à preparação das cidades para a Copa de 2014. O objetivo é reunir governadores, prefeitos e presidentes dos clubes das três únicas cidades-sede da Copa que possuem estádios privados para pressionar a liberação de tributos fiscais para a reforma das arenas. De acordo com José Fortunati, secretário especial do Mundial em Porto Alegre, o próximo passo será uma visita à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em Brasília
Quem passou a acompanhar os preparativos da Copa somente agora já perdeu dois anos de muito blá blá blá. Relembro que em 2008, antes da definição das 12 cidades que sediarão a Copa, em um evento do Sinaenco no Recife, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto de Oliveira, disse que “essa palhaçada de dizer que não haverá dinheiro público para construção de estádios vai durar até 2011. Depois disso o dinheiro público irá aparecer, pois sem estádios não tem jogo e sem jogo não tem Copa”. Oliveira fez esta afirmação em um momento em que o discurso da CBF, dos clubes e do governo era muito firme de que não haveria recursos públicos para os estádios. Parece que o presidente da Federação Pernambucana acertou em cheio
Aí vem a questão: Por que Morumbi, Beira Rio e Arena da Baixada? Será que o Coritiba não gostaria de ter o Couto Pereira reformado com isenção de tributos, empréstimos a taxas de “papai me empresta e te devolvo em 15 anos”, acesso privilegiado de transportes, camarotes luxuosos, exposição internacional do clube, arena multiuso com grandes shows, dentre outras 1001 vantagens? Ou o Grêmio, que “já teria investidores” para sua nova arena em Porto Alegre? E na cidade de São Paulo onde o Palmeiras viu naufragar o sonho de uma arena moderna por não contar com uma “forcinha” do governo? Ou o Corinthians construir seu tão cobiçado estádio?
A escolha destes estádios não foi feita pela Fifa e sim pelas cidades e comitês locais que se formaram ao longo da candidatura. Cheguei a imaginar que a Federação ao menos diria sim ou não, mas nem isso aconteceu. Prova disso é Cuiabá, que passou por dois encontros com os membros da Fifa com um projeto de estádio em mãos e após a definição da cidade como sede do Mundial apareceu com uma proposta totalmente diferente.
Como futebol envolve paixão, nossos governantes dizem que não têm nada a ver com a definição dos estádios. Minha avó costuma dizer que quando acontece uma tragédia a culpa é sempre do morto. Para a Copa 2014 a culpa é da Fifa
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